Preparação para a Prova Global do 1.º ano

A Prova Global do 1.º ano de ATC vai ser constituída por dois grandes grupos, o primeiro relativo à Música Renascentista do Século XVI (40% da cotação), e o segundo relativo à globalidade da matéria leccionada durante este ano lectivo (60% da cotação). O primeiro grupo será constituído por quatro questões relacionadas com uma partitura quinhentista em anexo, versando as mesmas sobre aspectos como a realização de uma análise formal ou outras questões relacionadas com a obra apresentada ou a época. No estudo para este primeiro grupo é muito importante a leitura, compreensão e assimilação, do texto constante neste blog, intitulado Música Vocal do Século XVI, pois questões haverá que apelam aos conteúdos constantes do referido texto.
O segundo grupo será mais geral e abrangerá toda a matéria do ano. Este será constituído por perto de três dezenas de questões de resposta objectiva (escolha múltipla). Assim, para além de rever as diversas obras analisadas ao longo deste ano -- como, por exemplo, o motete Garrit Gallus/In nova fert/Neuma de Philippe de Vitry, ou a Missa de Notre Dame de Guillaume de Machaut --, é muito importante a leitura, compreensão e assimilação dos seguintes textos constantes deste blog:
  1. Apontamentos de Canto Gregoriano
  2. Normas de Contraponto
  3. Música Vocal do Século XVI
Esperando que estas dicas sirvam de ajuda, bom estudo!

P.S.: As questões de resposta objectiva serão cotadas de acordo com a seguinte fórmula: P = A - ( E / ( n - 1 ) ), onde P é a pontuação; A o número de respostas correctas; E o número de respostas erradas; e n o número de alternativas de resposta apresentadas. Para saber mais sobre provas objectivas poderá consultar: Zabalza, M. (1997). Planificação e Desenvolvimento Curricular na Escola. Rio Tinto: Edições ASA, pp. 248-50.

Agnus Dei I da Missa Papae Marcelli de Palestrina

A Missa Papae Marcelli é uma das mais conhecidas e mais vezes ouvidas missas de Giovanni Pierluigi da Palestrina (1525/6 - 1594). O esquema a seguir apresentado é uma representação gráfica relativa ao material usado e às entradas das seis vozes da mesma durante o primeiro Agnus Dei. Este serve para observar a forma como Palestrina vai tecendo a teia polifónica entre as vozes, ao mesmo tempo que se constata que a esmagadora maioria do material usado neste andamento é relativo ao motivo da secção em cuja imitação ocorre. Assim, existe uma clara limitação do material melódico usado, dando uma enorme coesão a cada uma das três secções que constituem este Agnus Dei. É também relavante notar a escrita tonalmente orientada da primeira secção do mesmo (até ao compasso 15), onde se observa a definição de três centros tonais distintos (Dó, Sol e Ré), pelos quais a música passa, num processo de afastamento e reaproximação do centro tonal principal (Dó). Assim, vamos ter uma cadência a Sol no compasso 7, a Ré no compasso 11, de volta a Sol no compasso 13 e de volta a Dó no compasso 15 onde formalmente terminamos esta primeira secção deste Agnus Dei. Pode observar o esquema imitativo tecido pelas diversas vozes deste andamento na seguinte imagem:



Pode ouvir este mesmo Agnus Dei I:




Pode ouvir e ver a partitura integral desta obra aqui.

Exemplos de uso de técnica imitativa a duas vozes no século XVI

Estes são outros dois exemplos do uso de técnica imitativa, também por vezes referida como técnica de paráfrase, a duas vozes (clique em cima da indicação do compositor para ouvir):

[1] De Orlande de Lassus (1530/2 - 1594)




[2] De Tomás Luis de Victoria (1548 - 1611)

Correcção da Prova de Aferição realizada no dia 18/04/2009 (2.º ano)

A cópia do enunciado desta prova de aferição realizada por força da Lei n.º 3/2008, de 18 de Janeiro, referente ao Estatuto do Aluno dos Ensinos Básico e Secundário, conjugada com as disposições incluídas sobre o mesmo no Regulamento da EMCN, pode ser obtida clicando na seguinte imagem:




[1] Análise harmónica do seguinte excerto retirado de um Coral harmonizado por J. S. Bach:


***Sol M: Ia | Via Iiia IVa Va7| Via Va Ia Va | Iiia IVb Ia Vb | IVb IVa7 Va Va7 | Ia ||


[2] As respostas certas neste grupo são as seguintes:
  1. (c)
  2. (b)
  3. (a)
  4. (d)
  5. (a)
  6. (a)
  7. (c)
  8. (a)
  9. (a)
  10. (d)

Exemplo de Técnica de Paráfrase a Três Vozes

No período áureo do Renascimento musical, durante o Século XVI, a generalidade da música, associada aos modelos sancionados pela contra-reforma Católica, era estruturada com base em técnicas imitativas, algo que já tinha começado a ganhar ênfase pelo menos desde a geração de Josquin des Prez, nos finais do Século XV. É este tipo de técnica que aqui designo genericamente por Técnica de Paráfrase, uma vez que os fragmentos rítmico-melódicos, que vão ser imitados, são muitas vezes baseados em pequenos fragmentos melódicos retirados do Canto Gregoriano. Assim, ao contrário do exemplo anteriormente mostrado neste blog -- em que temos uma estrutura a três vozes construída sobre um Cantus Firmus baseado numa melodia gregoriana, mas usando uma técnica de contraponto rigoroso --, iremos agora ter pequenos fragmentos melódicos, também baseados numa outra melodia gregoriana, mas desta vez usados na construção de uma estrutura imitativa a três vozes. Assim, com base na seguinte melodia gregoriana:



Construí os seguintes motivos rítmico-melódicos que serviram de base para tecer toda a estrutura musical.

  • Secção A [Soprano e Baixo]

  • Secção A [Tenor]


  • Secção B [Soprano, Tenor e Baixo]


  • Secção C [Soprano e Baixo]


  • Secção C [Tenor]


  • Secção D [Soprano, Tenor e Baixo]


Cada uma das quatro secções construídas usa um único motivo -- em duas delas, com pequenas alterações numa das vozes com vista a facilitar o seu encaixamento na estrutura harmonia utilizada --, recorrendo exclusivamente a uma técnica de carácter imitativo. Desta forma, com base neste material, construí o seguinte Ave Maris Stella:



Observe com atenção o exemplo acima apresentado, tentando compreender os diversos aspectos técnicos possíveis de observar na escrita deste pequeno trecho a três vozes. Repare que o ritmo utilizado, em cada uma das três vozes, é na realidade de quinta espécie.


Contraponto Rigoroso: Mistura de Duas Quintas Espécies a Três Vozes

O exemplo que de seguida apresento corresponde a uma realização, a três vozes, de um contraponto rigoroso com mistura de duas quintas espécies nas duas vozes superiores, onde o Cantus Firmus contém a melodia retirada do Canto Gregoriano. Por simplicidade de concepção estrutural, as quatro secções em que o Cantus Firmus se subdivide correspondem às quatro divisões da própria melodia gregoriana usada como base do mesmo. Ouça este Chorus Angelorum.

Música Vocal do Século XVI