Joseph Haydn: Sinfonia n.º 104, I. Adagio - Allegro

O primeiro andamento da Sinfonia n.º 104 de Joseph Haydn (Londres, 1795) é composto na forma sonata (Allegro) precedida de uma introdução (Adagio), a qual não faz parte da mesma. Enquanto que o Allegro se encontra em Ré maior, o Adagio que o antecede está em Ré menor. Este Adagio está construído numa forma ternária (ABA), nas tonalidades de Ré menor, Fá Maior, e Ré menor. A seguir podemos observar a partitura deste primeiro andamento desta Sinfonia de Haydn, bem como proceder à sua audição.

Joseph Haydn: Quarteto Op. 76, n.º 4, I

O Classicismo musical caracteriza-se por uma revolução no pensamento dominante, na esteira do pensamento iluminista então emergente. Nesta linha de pensamento, Charles Burney escreve, em 1776, que "a música é um luxo inocente e, em boa verdade, desnecessário à nossa existência, embora seja grandemente proveitosa e agradável ao sentido do ouvido." Tal afirmação contrasta com o que Andreas Werckmeister afirmara menos de cem anos antes, quando dissera que a música é "uma dádiva de Deus para ser usada apenas em Sua Honra." [Grout, D. J. e Palisca, C. V. (2001). História da Música Ocidental (2.ª edição). Lisboa: Gradiva, p. 475]. Esta mudança no paradigma dominante retrata uma das características essenciais à revolução no pensamento ocorrida na Europa do Século XVIII e que esteve na base, não só, da Revolução Francesa, (1789/99) como da instituição dos Estados Liberais e Monarquias Constitucionais emergentes na Europa de finais do Século XVIII e princípios do Século XIX. Em Portugal, tal se caracteriza, após a independência do Brasil ocorrida a 7 de Setembro de 1822, pela outorga da Carta Constitucional de 1822 e pela Guerra Civil que se lhe segue, a qual termina em 1834 com a vitória dos liberais encabeçados por D. Pedro IV.
É neste contexto histórico e sociológico que temos de ver o surgimento do período que na História da Música se vulgarizou sob a designação de Classicismo (1750/1809). Este, apesar de ser um movimento estético comum a diversas formas artísticas -- de facto, a designação de Classicismo advém, antes de tudo, das artes plásticas --, o período histórico-temporal em que o mesmo decorre não é rigorosamente coincidente entre estas, apesar de, no seu geral, decorrer ao longo da segunda metade do Século XVIII. No que diz especificamente respeito à música erudita, este é um período ditado por novas formas musicais, as quais procuram uma maior simplicidade nos meios de expressão, caracterizada em formas menos complexas do que no período histórico anterior (Barroco, ca. 1620/1750) e numa menor complexidade harmónica, nomeadamente com um ritmo harmónico tendencialmente mais lento.
Um dos compositores bastante conhecidos deste período da história da música ocidental é sem dúvida Joseph Haydn. Autor de inúmeras Sinfonias, Sonatas e Quartetos, marca a transição estilística entre os períodos, Barroco e Clássico, com uma imensa produção musical de elevada qualidade artística. Entre as obras que compôs se inclui o Quarteto Op. 76, n.º 4, de cujo primeiro andamento, encontrando-se em forma Sonata, a seguir coloco a respectiva partitura (integral) bem como dois vídeos, o primeiro referente ao seu primeiro andamento e o segundo ao seu quarto andamento, permitindo assim uma análise mais detalhada do mesmo.





Esquema formal do seu 1.º andamento

1 a 68 Exposição
1 a 27 T1
27 a 36 Ponte
36 a 60 T2
60 a 68 Coda
69 a 108 Desenvolvimento

108 a 188 Reexposição
108 a 138 T1
138 a 141 Ponte
141 a 162 T2
162 a 188 Coda

Observações:

  1. Existe uma identidade temática entre aquilo que designamos de T1 (1.º Tema) e de T2 (2.º Tema). Este é, aliás, um procedimento algo comum durante o Classicismo, uma vez que, no seu essencial, o mais importante, na Exposição da forma Sonata, é o contraste entre duas tonalidades e não o de dois materiais de características distintas, algo que só se tornará verdadeiramente obrigatório no Século XIX.
  2. Todo este andamento é, no seu essencial, constituído por três materiais distintos, A (1.º e 2.º Temas), B (Ponte) e C (Coda). Com este recurso técnico, Haydn consegue aqui uma extrema coerência deste andamento como um todo.

Cantata BWV 140, «Wachet auf, ruft uns die Stimme»

Esta Cantata foi estriada no dia 25 de Novembro de 1731, por Johann Sebastian Bach, sendo aqui apresentada numa interpretação da Orquestra Barroca de Amsterdam, dirigida por Ton Koopman.



Alguns apontamentos relativos às provas escritas de avaliação (Dez/09)

Não indo aqui efectuar a correcção das referidas provas escritas de avaliação para o 1.º e 2.º ano de Análise e Técnicas de Composição -- as quais foram/serão efectuadas nas aulas e se destinam à realização de um trabalho de recuperação a ser elaborado por todos os alunos que tiveram nota abaixo de 10 Valores no final deste 1.º período lectivo --, ficam aqui alguns apontamentos referentes às referidas provas:
  1. Para o 1.º ano desta disciplina elaborei um total de quatro enunciados, os quais somente se distinguem, quanto ao primeiro grupo, na peça gregoriana utilizada; quanto ao segundo grupo, relativamente à questão de resposta múltipla número dois; e, quanto ao terceiro grupo, em relação ao segundo extracto musical aí colocado (no entanto, ambas as variantes utilizadas se referem à mesma obra musical).
  2. Para o 2.º ano desta disciplina elaborei um total de dois enunciados, os quais se destinguem, quanto ao primeiro grupo, no excerto a ser harmonicamente analisado (no entanto, ambos estavam em Lá maior); quanto ao terceiro grupo, na questão número dois que é diferente; e, quanto ao quarto grupo, em todas as questões de resposta múltipla, à excepção das questões números quatro, sete e dez.

Prova escrita de avaliação do 1.º período (1.º ano)

A prova escrita de avaliação realizada no final do primeiro período deste ano lectivo de 2009/10, para o 1.º ano da disciplina de Análise e Técnicas de Composição, possuia quatro enunciados distintos:

[Enunciado A]


[Enunciado B]


[Enunciado C]


[Enunciado D]

Prova escrita de avaliação do 1.º período (2.º ano)

A prova escrita de avaliação realizada no final do primeiro período deste ano lectivo de 2009/10, para o 2.º ano da disciplina de Análise e Técnicas de Composição, possuia dois enunciados distintos:

[Enunciado A]



[Enunciado B]

Normas de Contraponto Rigoroso

Apesar de a tradição escolástica de contraponto ter ainda hoje como base o tratado Gradus ad Parnassum de Johann Joseph Fux (1660 - 1741), a mesma pode ser vista como uma forma prática de introdução à escrita contrapontística e imitativa utilizada durante o Renascimento (sécs. XV e XVI). Assim, apesar de o trabalho a desenvolver neste domínio ser mais um meio do que um fim em si mesmo -- o qual irá antes privilegiar a escrita imitativa ao estilo do século XVI --, de seguida apresento uma súmula de normas a serem observadas na escrita do contraponto rigoroso por espécies. Esta súmula servirá de apoio às aulas que irão ser ministradas ao primeiro ano de Análise e Técnicas de Composição sobre esta matéria.