
Material de apoio às disciplinas de Análise e Técnicas de Composição, e de Teoria e Análise Musical
Normas de contraponto rigoroso

Testes de final do 1.º período (DEZ/2010)
- Enunciado A: [A] Organum: Alleluia justus ut palma; [B] Secção de organum florido do Organum duplum de Leoninus; [C] Conductus: Ave virgo virginum.
- Enunciado B: [A] Organum: Alleluia justus ut palma; [B] Secção de clausula do Organum duplum de Leoninus; [C] Motet: Garrit gallus / In nova fert / Neuma de Philippe de Vitry.
- Enunciado C: [A] Organum: Alleluia justus ut palma; [B] Organum: Sederunt principes de Perotinus; [C] Conductus: Ave virgo virginum.
- Enunciado D: [A] Organum: Alleluia justus ut palma; [B] Secção de clausula do Organum duplum de Leoninus; [C] Organum: Sederunt principesde Perotinus.
Preparação para o teste de final do 1.º período
- Sobre um excerto musical apresentado de canto gregoriano, responder a três questões: (a) identificar todos os neumas e demais sinais paleográficos utilizados; (b) classificar globalmente, em termos modais, a peça apresentada; e (c) realizar uma análise modal da mesma por pontuação musical (inciso, membro, frase, ou período), referindo-se às características modais encontradas à luz dos modelos modais estudados.
- Escrever uma pequena melodia tendo por base os modelos utilizados no canto gregoriano, enquadrando-a no modo indicado (protus, deuterus, tritus, tetrados, autêntico ou plagal).
- Comentar brevemente cada um dos três trechos musicais apresentados, não se esquecendo de identificar corretamente as obras em apreço. As obras musicais que poderão ser incluídas nesta questão, são as estudadas durante as aulas, o que inclui: (a) Organum: Alleluia justus ut palma; (b) Leoninus, Organum duplum; (c) Motete: Salve, salus hominum / O radians stella / nostrum; (d) Perotinus, Sederunt principes; (e) Conductus: Ave virgo virginum; e (f) Philippe de Vitry, Motete: Garrit gallus / In nova fert / Neuma.
Apontamentos e recursos relativos ao Canto Gregoriano
A música na Grécia Antiga
Pode ser encontrado aqui um artigo na Wikipédia relativo à música na Grécia antiga. Neste outro link poderá ainda ser encontrado um artigo publicado no Jornal Primeiro de Janeiro, em 24 de Janeiro de 1951, relativo a um dos excertos musicais de música grega antiga mostrado na sala de aula. Este artigo, contém um facsimile com o texto musical grego original e sua transcrição possível em notação musical moderna, bem como com a tradução do respectivo texto grego, primeiro para francês e depois para português. A seguir, apresenta-se ainda o texto de apoio a este conteúdo da matéria, o qual pode ser descarregado clicando em cima da imagem do mesmo.

Planificação referente ao ano letivo de 2010/11
O mesmo documento poderá ainda ser obtido em formato HTML aqui.
Relativamente ao primeiro ponto referido nos conteúdos desta disciplina para a componente de Análise Musical, intitulado noção de história e de tempo histórico, poderá ser consultada aqui uma outra entrada anterior deste blog, a qual contém o texto de apoio referenciado, a propósito desta temática, nas aulas e intitulado Da História e do Jornalismo: Pontes e Divergências.
Ano lectivo de 2010/11 -- Marcação de horários de ATC
Por este meio se informa que as turmas de Análise e Técnicas de Composição a funcionar no ano lectivo de 2010/11 serão as seguintes:
Legenda: CG -- Prof. Carlos Gomes; DS -- Prof. Daniel Schwetz; EC -- Prof. Eurico Carrapatoso; Eli -- Prof. Eli Camargo; e JM -- Prof. Jorge Machado.
Atenção!
Os alunos dos regimes articulado e supletivo efetuarão a sua marcação de horário de ATC por e-mail, para marcacaoatc@gmail.com, observadas as seguintes regras:
- Os alunos serão considerados na marcação segundo a ordem de chegada dos respectivos e-mails, sendo só validados os e-mails chegados após as 00h00 do dia 15 de Setembro próximo. Cada aluno deverá indicar o mínimo de duas preferências de horário, as quais serão usadas, como critério, em conjunto, com a ordem de chegada dos respectivos e-mails com os pedidos de marcação.
- As turmas A são preferencialmente destinadas ao regime integrado, sendo que a turma A do primeiro ano de ATC já se encontra completa com os alunos deste regime.
- As turmas B e C do 3.º ano foram criadas para os dez alunos inscritos no corrente ano lectivo e que frequentaram o 1.º e 2.º ano de ATC com o professor Eurico Carrapatoso, em regime de excepção, dado o afastamento do mesmo professor, por motivo de doença, durante o ano lectivo de 2009/10.
- Os casos omissos e os acertos de horário serão atendidos presencialmente durante o próximo dia 24 de Setembro em horário a anunciar.
Correcção das Provas Globais (1.º e 2.º ano)
Os dois enunciados são semelhantes à excepção da pergunta n.º 2 do 2.º grupo, bem como de diversas questões de resposta objectiva do 3.º grupo. Assim, temos como possíveis soluções:
1. Enunciados A e B:
2. Enunciados A e B:2. Enunciado A:
- Questão 1: 1 a 19 Polifonia Imitativa; 19 a 28 Homofonia; 27 a 39 Polifonia Imitativa; 40 a 53 Homofonia; 53 a 74 Homofonia e Polifonia Imitativa (esta secção pode ser dividida em duas subsecções, respectivamente dos compassos 53 a 67, e 67 a 74).
- Questão 3: A unidade básica de pulsação é a semínima porque, contendo cada compasso dois tactus, esta corresponde a meio tactus. Como a unidade de compasso corresponde à semibreve, o tactus corresponderá à mínima e, por sua vez, a unidade básica de pulsação à semínima.
- Questão 4: O compositor desta obra é Tomás Luís de Victoria.
2. Enunciado B:
- Questão 2: Trata-se de uma secção dupla pois o motivo imitado entra mais do que uma vez em cada uma das vozes ao longo da secção referida.
3. Enunciado A: 1. c); 2. d); 3. d); 4. d); 5. a); 6. c); 7. d); 8. d); 9. a); 10. d); 11. b); 12. a); 13. c); 14. a); 15. d); 16. c); 17. b); 18. c); 19. c); e 20. b).
- Questão 2: Trata-se de uma secção composta pois na mesma existem dois motivos imitados, cada um destes com um texto diferente, respectivamente "O Magnum Mysterium" e "et admirabile sacramentum".
3. Enunciado B: 1. c); 2. b); 3. a); 4. d); 5. a); 6. c) 7. d); 8. d); 9. a); 10. c); 11. b); 12. a); 13. c); 14. a); 15. d); 16. c); 17. b); 18. c); 19. c); e 20. b).
2.º Ano
Existe um único enunciado, cuja solução é a seguinte:
1. Realização completa do Coral proposto:
2. Análise: Lá m: ia Vb ia ia | [Lá m/Dó M] ia/via Va Ia Ia | [Dó M/Lá m] Ia/IIIa ia {IVb7 + Vb7FO} ia | iib7 Va Ia _ | [Lá m/Ré m] Ia/Va Vb/a ia ↓VIa | iib/a Va Ia [Ré m/Dó M] Ia/IIa | Va Vb/a Ia via | iib/a7 Va Ia [Dó M/Lá m] Ia/IIIa | ↓VIa iva Vb ia | IIb7 Va Ia _ ||
3. Respostas: 1. b); 2. d); 3. c); 4. a); 5. d); 6. b); 7. d); 8. d); 9. a); 10. b); 11. a); 12. a); 13. d); 14. b); 15. a); 16. c); 17. c); 18. c); 19. c); 20. b); 21. b); e 22. a).
Enunciado das Provas Globais de ATC (1.º e 2.º ano)
Prova Global 2009/2010 (1.º e 2.º anos)
- Completar um trecho a três vozes usando técnica de paráfrase, preenchendo os espaços em branco. Os excertos a serem completados incluem: imitações, cadências, harmonia e texto.
- Responder sucintamente a quatro questões abertas efectuadas relativamente a uma partitura em anexo referente ao período da contrarreforma (Século XVI).
- Responder a um total de vinte questões objectivas -- i.e., de escolha múltipla com quatro opções de resposta --, efectuadas sobre as seguintes áreas de concentração temática: normas de contraponto (55% das questões), canto gregoriano (20% das questões) e outras (25% das questões).
2.º Ano
- Completar a harmonização de um Coral, preenchendo os espaços em branco.
- Realizar a análise harmónica de um outro Coral.
- Responder a um total de vinte e duas questões objectivas -- i.e., de escolha múltipla com quatro opções de resposta --, efectuadas sobre as seguintes áreas de concentração temática: harmonia e linguagem tonal (73% das questões) e formas musicais (27% das questões).
A Música Renascentista na Contrarreforma do Século XVI
Giovanni Pierluigi da Palestrina, Tu es Petrus
Tomás Luís de Victoria, O magnum mysterium
Tomás Luís de Victoria, Missa «O magnum mysterium»: Kyrie
Tomás Luís de Victoria, Missa «O magnum mysterium»: Agnus Dei
William Byrd, Mass for five voices
Apontamentos e materiais para o 1.º ano (04/2010)
- Guillaume Dufay [1397 - 1474], Hymns
- Johannes Ockeghem [ca. 1420 - 1497], Missa Mi-Mi
- Josquin Desprez [ca. 1445 - 1521], Missa Pange lingua
- Giovanni Pierluigi da Palestrina [1525/6 - 1594], Missa Iste Confessor: Kyrie
2. Apontamentos diversos relativos à aula de 13 a 16/04/2010
- Contraponto rigoroso: Mistura de duas quintas espécies a três vozes
- Exemplo de técnica de paráfrase a três vozes
3. Apontamentos diversos relativos à aula de 20 a 23/04/2010
A construção de um novo sistema harmónico (Século XV)
Na comparação da música escrita por compositores do chamado período da Ars Nova, ainda no Século XIV -- como é o caso de Guillaume Machaut (ca. 1300 a 1377) --, e de compositores da primeira geração franco-flamenga -- como Guillaume Dufay (1397 a 1474) --, ou que directamente a influenciaram -- como é o caso de John Dunstable (ca. 1390 - 1453) que esteve ao serviço do Duque de Bedford entre 1422 e 1435 durante o período em que este é regente de França --, nota-se uma clara diferença na forma como a harmonia é construída, marcando este um período de clara mudança no estilo musical praticado na Europa Continental. Esta diferença situa-se em grande parte numa alteração profunda na forma como a harmonia do conjunto de vozes é concebida, algo que, para além de implicar numa alteração nítida da sonoridade produzida pelo conjunto de vozes, em grande parte deriva a sua génese da influência produzida pela técnica de falso bordão. Claro que hoje se torna um pouco difícil estabelecer uma clara relação de casualidade entre o aparecimento desta técnica e esta transformação sentida na forma como a harmonia passa a ser engendrada no Século XV. Mas não deixa de ser nítido o paralelo existente entre ambos os processos históricos aqui referenciados.
Apesar de nem toda a riqueza de pormenores ser perceptível numa primeira audição, tente comparar a diferente sonoridade que se pode ouvir nos seguintes dois exemplos, um de cada lado deste corte conceptual possível de entender ao nível dos paradigmas usados na construção harmónica da música polifónica dos Séculos XIV e XV:
1. Guillaume de Machaut [ca. 1300 - 1377], Rose, liz, printemps, verdure
2. John Dunstable [ca. 1390 - 1453], Quam pulchra es
Na realidade, à medida que se progride no Século XV a caminho do Século XVI, mais familiar se nos torna a audição desta música ao nível da sua concepção harmónica, sendo que a mesma nos vai soando mais próximo do paradigma Barroco que constitui a tonalidade. Esta é, na verdade, não um corte radical e abrupto ao nível da linguagem harmónica usada, mas antes uma progressiva evolução ao nível da forma como a mesma é construída e concebida, passando-se de uma harmonia em que o arquétipo fundamental é o intervalo musical -- que relaciona somente duas notas de cada vez --, para uma harmonia baseada na tríade, entidade constituída por três sons consonantes entre si e que constitui os acordes que bem conhecemos da linguagem tonal. Oiçamos, pois, alguns outros exemplos musicais correspondentes a momentos históricos sucessivos entre si:
3. Johannes Ockeghem [ca. 1420 - 1497], Missa l'Homme Armé: Kyrie
4. Josquin des Prez [ca. 1445 - 1521], Missa Pange Lingua: Kyrie Eleison
5. Giovanni Palestrina [1525/6 - 1594], Missa Papae Marcelli: Kyrie
É notório, nos exemplos que acabámos de ouvir e para além dos aspectos referenciados ao nível da sua construção harmónica, que se começa a conceber as texturas musicais tendencialmente como um tecer de linhas melódico-rítmicas imitativas entre si -- a que chamo de técnica de paráfrase --, ao invés de uma construção baseada na harmonização de um tenor -- a que chamo de técnica de cantus firmus --, esta mais arcaica e que surge como base na estruturação dos Organa e Motet Medievais. Quanto à construção da tonalidade, esta é já uma realidade bem presente em muita da música deste período histórico, tornando errada a visão simplista que pretende ver a música quinhentista como modal e a seiscentista como tonal. Na verdade, tal divisão não existe, sendo que em muita da música quinhentista já se encontra presente um claro cunho de harmonia tonal/funcional:
6. Claudin de Sermisy [ca. 1490 - 1562], Tant que vivray
7. Giovanni Palestrina [1524/5 - 1594], Missa Papae Marcelli: Agnus Dei
De facto, e tirando as óbvias diferenças, quase nos parece se tratar de música Barroca no que diz respeito ao funcionamento da sua linguagem harmónica de carácter obviamente funcional. Em ambos os exemplos que acabámos de ouvir, podemos claramente identificar uma tonalidade e uma sucessão de funções tonais tão características da música de um outro compositor bem nosso conhecido, mas que só nascerá mais de um século e meio mais tarde, mais concretamente em 1685. Oiçamos, pois, este último exemplo já do Século XVIII.
8. Johann Sebastian Bach [1685 - 1750], Matthaeus Passion
Enunciados das provas de avaliação (2.º Período)
a) ATC (1.º ano)
Provas escritas de avaliação (2.º período)
- ATC I (1.º ano)
A prova será constituída pelos três seguintes grupos de questões:
- Completar quatro trechos de contraponto rigoroso a duas vozes em espécies diversas (ter em atenção o trecho já realizado do mesmo uma vez que, a parte a ser realizada, se deve enquadrar na sua parte já realizada);
- Duas questões sobre um dos andamentos isorritmicos (Kyrie, Sanctus e Agnus Dei) da Missa de Notre Dame de Machaut). Estas questões versarão fundamentalmente sobre a estrutura isorritmica dos mesmos;
- Um total de vinte e quatro questões relativas às normas dadas de contraponto rigoroso, efectuadas sob a forma de afirmações. Deverá ser indicado, para cada uma destas afirmações, se as mesmas são verdadeiras ou falsas.
- ATC II (2.º ano)
A prova será constituída pelos quatro seguintes grupos de questões:Observação:
- Realização da análise harmónica de um trecho retirado de um Coral Luterano. Para além do que já vem sendo habitual, é pedido que sejam ainda assinaladas todas as dissonâncias ornamentais e integrais encontradas;
- Completar a harmonização de um trecho, também retirado de um Coral Luterano. Deverá ser mantido um estilo coerente com o trecho já realizado do mesmo;
- Responder a um conjunto de questões sobre uma partitura em anexo, sendo fundamental aqui o identificar correctamente das secções constituintes de uma forma sonata;
- Indicar, para cada uma das dez afirmações apresentadas, se as mesmas são verdadeiras ou falsas. Estas versam sobre toda a matéria de técnicas e análise leccionada.
Nas questões de resposta múltipla ou de verdadeiro/falso, são descontadas, dentro do respectivo grupo, as respostas erradas.
Joseph Haydn: Sinfonia n.º 104, I. Adagio - Allegro

Joseph Haydn: Quarteto Op. 76, n.º 4, I
É neste contexto histórico e sociológico que temos de ver o surgimento do período que na História da Música se vulgarizou sob a designação de Classicismo (1750/1809). Este, apesar de ser um movimento estético comum a diversas formas artísticas -- de facto, a designação de Classicismo advém, antes de tudo, das artes plásticas --, o período histórico-temporal em que o mesmo decorre não é rigorosamente coincidente entre estas, apesar de, no seu geral, decorrer ao longo da segunda metade do Século XVIII. No que diz especificamente respeito à música erudita, este é um período ditado por novas formas musicais, as quais procuram uma maior simplicidade nos meios de expressão, caracterizada em formas menos complexas do que no período histórico anterior (Barroco, ca. 1620/1750) e numa menor complexidade harmónica, nomeadamente com um ritmo harmónico tendencialmente mais lento.
Um dos compositores bastante conhecidos deste período da história da música ocidental é sem dúvida Joseph Haydn. Autor de inúmeras Sinfonias, Sonatas e Quartetos, marca a transição estilística entre os períodos, Barroco e Clássico, com uma imensa produção musical de elevada qualidade artística. Entre as obras que compôs se inclui o Quarteto Op. 76, n.º 4, de cujo primeiro andamento, encontrando-se em forma Sonata, a seguir coloco a respectiva partitura (integral) bem como dois vídeos, o primeiro referente ao seu primeiro andamento e o segundo ao seu quarto andamento, permitindo assim uma análise mais detalhada do mesmo.

Esquema formal do seu 1.º andamento
1 a 68 Exposição
1 a 27 T169 a 108 Desenvolvimento
27 a 36 Ponte
36 a 60 T2
60 a 68 Coda
108 a 188 Reexposição
108 a 138 T1
138 a 141 Ponte
141 a 162 T2
162 a 188 Coda
Observações:
- Existe uma identidade temática entre aquilo que designamos de T1 (1.º Tema) e de T2 (2.º Tema). Este é, aliás, um procedimento algo comum durante o Classicismo, uma vez que, no seu essencial, o mais importante, na Exposição da forma Sonata, é o contraste entre duas tonalidades e não o de dois materiais de características distintas, algo que só se tornará verdadeiramente obrigatório no Século XIX.
- Todo este andamento é, no seu essencial, constituído por três materiais distintos, A (1.º e 2.º Temas), B (Ponte) e C (Coda). Com este recurso técnico, Haydn consegue aqui uma extrema coerência deste andamento como um todo.